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sábado, 19 de março de 2016

CRISE ECONÔMICA: Medidas lançadas para reanimar a economia não surte o efeito desejado

Imagem: Reprodução internet
Com posição ainda incerta no governo diante da volta do ex-presidente Lula ao Executivo, e em meio ao agravamento da crise política, que ameaça encerrar o atual ciclo do PT no poder, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, decidiu pisar no acelerador e prepara um conjunto de medidas para tentar reanimar a economia. Ontem, em São Paulo, ele informou que os técnicos do ministério e do Banco Central estudam reduzir os recolhimentos compulsórios, uma parte dos depósitos que os bancos são obrigados a manter no BC, para que as instituições ampliem linhas de crédito a consumidores e empresas. De acordo com o ministro, ainda não há decisão formada, mas várias ideias em discussão. “Conversamos com o BC sobre a necessidade de novas medidas e, se for preciso, vamos tomá-las”, disse.

O objetivo, segundo Barbosa, é ampliar a liquidez da economia e melhorar o ambiente de negócios. Várias das medidas em estudo fazem parte da agenda econômica do PT, que vem reclamando providências para recuperar a atividade. Nas últimas semanas, relatórios que chegam aos principais gabinetes da Esplanada dão conta de que o número de empresas com dificuldades de caixa tem crescido velozmente. Diante do aumento do desemprego e da inadimplência de clientes, os bancos reduziram drasticamente a liberação de novos financiamentos, privilegiando a renegociação ou a ampliação do prazo das dívidas já contratadas. Segundo um integrante da equipe econômica, a flexibilização dos compulsório permitiria a criação de linhas para refinanciar os débitos das companhias em situação mais dramática.

Barbosa anunciou ainda que, na próxima segunda-feira, o governo deve encaminhar ao Congresso o texto do acordo de alongamento da dívida dos estados com a União. Os detalhes serão anunciados, pouco antes, em reunião com os 27 governadores. O ministro destacou que diversas administrações regionais vivem problemas de caixa e, muitas vezes, acabam recorrendo a soluções locais e isoladas que podem gerar problemas sistêmicos. “Por isso, a União resolveu entrar no jogo”, disse. O acordo prevê que os estados em pior situação possam alongar o prazo de pagamento dos débitos e obter, por até dois anos, desconto de 40% nas parcelas mensais. Como compensação, o governo exigirá medidas para controlar o crescimento da folha de salários e da previdência dos servidores.

Habitação

Em outro projeto, segundo fontes da área econômica, o governo pedirá autorização ao Legislativo para que o deficit público deste ano possa ser elevado para até R$ 60,2 bilhões, o que poderá liberar R$ 9 bilhões para a conclusão de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que estão paralisadas. O Executivo pretende ainda tirar da geladeira a contratação de 2 milhões de moradias da terceira fase do Programa Minha Casa Minha Vida.

Nas discussões internas do governo, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vinha se mostrando contrário ao uso dos depósitos compulsórios dos bancos para reforçar o crédito. Ontem, sem dar mais detalhes, Barbosa ressaltou que as decisões devem ser tomadas com cuidado, porque “simplesmente baixar o compulsório não assegura que os recursos cheguem à ponta”. No início do ano, o governo já havia anunciado um aumento de R$ 83 bilhões na disponibilidade de crédito de bancos oficiais.

Nelson Barbosa admitiu que o Brasil vive um cenário tumultuado, mas disse que a recuperação da economia ajudará o quadro político, e vice-versa. “Estamos num momento conturbado, basta ver as manifestações no dia a dia. A melhora da situação econômica ajudará a situação politica, mas isso é uma via de mão dupla. A incerteza política também atrasa a recuperação da economia. Está na hora de a política ajudar a economia”, disse ele.

As medidas em estudo incluem ainda um mecanismo para reduzir a dívida bruta do governo, cujo crescimento tem aumentado a desconfiança de analistas e investidores no país. Isso seria feito por meio da criação de uma conta de reservas remuneradas no Banco Central, na qual as instituições financeiras poderiam depositar diariamente os recursos não direcionados a empréstimos e financiamentos. O sistema teria a finalidade de controlar o volume de dinheiro em circulação na economia e poderia substituir, gradativamente, as chamadas operações compromissadas, feitas pelo Banco Central com a venda e recompra, a curto prazo, de títulos públicos de sua carteira. Essas operações, cujo saldo já ultrapassa R$ 1 trilhão, são contabilizadas como divida pública.

Meirelles é ameaça

Com a escolha de Lula para a Casa Civil, aumentaram os rumores no mercado em torno da substituição do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, por Henrique Meirelles, ex-presidente do BC. Apesar dos boatos, Barbosa segue com sua agenda frenética em torno das medidas. “Com a crise política, a nossa resposta é com trabalho”, disse um assessor da Fazenda. No fim de semana, Barbosa e sua equipe acertam os últimos detalhes do pacote que será anunciado na próxima semana.

Ceticismo

A nova promessa de facilitação do crédito foi recebida com ceticismo por analistas, sobretudo se ela for feita com base em subsídios. “Faz parte da tarefa do governo falar que vai resolver os problemas, mas não há espaço fiscal nem condições para implementar medidas desse tipo”, disse o economista-chefe da Nova Futuro Corretora, Pedro Paulo Silveira. O agravamento da crise política, que paralisou a votação de medidas econômicas no Congresso, é outro complicador. Por isso, segundo ele, as medidas anunciadas por Barbosa tiveram pouca repercussão no mercado.

Fonte: correio Braziliense

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