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quinta-feira, 30 de junho de 2016

RESULTADO DA PERÍCIA: Envenenamento foi a causa da morte do suspeito da Operação Turbulência, encontrado morto em motel de Olinda.

Imagem: Reprodução internet 
A causa da morte de Paulo César de Barros Morato foi envenenamento. A informação foi apurada pela reportagem da Folha de Pernambuco, com exclusividade, na tarde desta quinta-feira (30). Com o resultado, a polícia ficará responsável em apurar se o empresário se envenenou ou foi envenenado. De acordo com outra fonte da Folha, o produto que causou o envenenamento foi um pesticida.

O corpo de Morato já está liberado pelo Instituto Médico Legal (IML), que aguarda a família dele. Segundo nossas fontes, a causa da morte que aparece no laudo é "intoxicação exógena".

Morato é considerado o “testa de ferro” da organização criminosa suspeita de levar dinheiro para as campanhas do ex-governador Eduardo Campos e foi encontrado morto no dia 22 de junho, no Motel Tititi, em Olinda, Região Metropolitana do Recife.

O empresário estava foragido desde a última terça-feira (21), quando a PF cumpriu 62 mandados judiciais e prendeu quatro pessoas, no âmbito da Operação Turbulência. Durante a estadia no motel, Morato chegou a pedir somente uma água.

Ele teria chegado por volta do meio-dia, da terça (21), sozinho em um Jeep Renagade. Na quarta (22), funcionários do estabelecimento decidiram abrir o quarto com a chave-mestra, já que o empresário não renovou a diária. O corpo foi encontrado em cima da cama, sem sinais de violência, sangue ou arma.

No quarto onde Paulo Cesar de Barros Morato foi encontrado, a Polícia Civil recolheu cartelas de remédios em uso, três aparelhos celulares - iPhone 5, iPhone 6 e um da marca Blue -, vários óculos de grau e sol, três carteiras de couro marrom, três cheques em branco - dois do Banco do Brasil e um do Bradesco -, além de 53 envelopes vazios para depósito do Banco do Brasil, R$ 3 mil em espécie, R$ 4,95 em moedas, sete pendrives e um boneco do Homem-Aranha.

Perícia

Na quinta-feira (23), a Polícia Civil suspendeu a perícia no quarto do motel onde Morato foi encontrado. Os papiloscopistas chegaram ao motel às 10h52, mas nem pisaram na cena do crime. Partiram poucos minutos depois, ao receber um telefonema da chefia da Divisão de Crimes da Polícia Civil, orientando que não fizessem a perícia. Nenhuma outra explicação foi dada. O advogado do motel, Higínio Marinsalta, chegou a informar que o estabelecimento aguardava instruções da Polícia.

A falta de perícia no quarto onde o empresário foi achado levou o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol-PE) e a Associação dos Peritos de Pernambuco (Asppape) a protocolar um pedido de informações na Secretaria de Defesa Social (SDS) a respeito dos procedimentos tomados no caso da morte de Paulo César Morato, na segunda-feira (27). As entidades explicaram que a delegada Gleide Ângelo solicitou a realização do exame quando o corpo foi encontrado, na noite da quarta (22), mas os papiloscopistas não conseguiram iniciar o procedimento.

A informação contradiz a declaração da gerente geral de Polícia Científica, Sandra Santos. Durante coletiva de imprensa ainda na quinta-feira (23), ela chegou a dizer que o procedimento foi feito.

Na última quarta (29), o Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sinpol-PE) criticou as modificações feitas na perícias no corpo do empresário. As vísceras de Paulo César de Barros Morato foram encaminhadas para o IML da Paraíba na segunda-feira (27). O legista retornou no mesmo dia à Capital pernambucana.

Vida pacata
Considerado "testa de ferro" da organização criminosa suspeita de lavar dinheiro para financiar as campanhas do ex-governador Eduardo Campos, em 2010 e 2014, Paulo Cesar de Barros Morato pode ter sido um laranja. Com exclusividade, a Folha de Pernambuco e o portal FolhaPE mostraram que o suspeito levava uma vida simples no município de Tamandaré, a 100km do Recife.

Morato tinha um ponto de vendas e conserto de celulares anexado à casa onde morava de aluguel, na rua José Bezerra Sobrinho. Ele morava com a esposa, que trabalhava como revendedora de uma marca de cosméticos, e ajudava a criar suas duas filhas. A Folha de Pernambuco chegou a ir ao local e descobriu que o empresário era bem admirado pelos vizinhos. Uma moradora da região chegou a dizer que "não tinha tempo ruim com ele" e que ele "falava com qualquer pessoa, de mendido a advogado".

Um mapeamento da Folha de Pernambuco sobre os últimos passos de Morato mostrou que o empresário buscava fugir do mapa. Em maio de 2015, dois meses antes da Operação Politeia, o empresário deixou a casa em Tamandaré. A operação foi o primeiro desdobramento da Operação Lava Jato. Segundo a apuração, Morato já desconfiava, ou foi informado, que as investigações poderiam lhe custar a prisão. No período de um ano, ele também encerrou as atividades comerciais.

Com base no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), a Câmara & Vasconcelos é localizada na avenida Ernesto de Paula Santos, número 187, em Boa Viagem, mas no local, funcionários do empresarial explicaram que o negócio não funciona no local há pelo menos um ano e meio e que não havia muita circulação de pessoas no escritório.

O Jeep Renegade, que estava com Morato no dia em que ele foi encontrado morto, também não está no nome dele. As multas debitadas ao carro revelam trechos percorridos entre Recife e as cidades de Olinda e Igarassu, na Região Metropolitana. Todas elas apontam infrações por velocidade superior à máxima permitida. O último ano de Paulo, portanto, dá a impressão de que ele submergiu para não ser encontrado.

Testa de ferro
Morato era o único foragido da Operação Turbulência, deflagrada na última terça (21). Ele seria o real proprietário da empresa Câmara & Vasconcelos, envolvida na compra do avião Cessna Citation PR-AFA. A aeronave transportava o ex-governador de Pernambuco e candidato à Presidência em 2014 Eduardo Campos (PSB) e caiu em Santos, no litoral paulista, em agosto de 2014, matando Campos e mais seis pessoas.

O empresário era considerado o "testa de ferro" do grupo criminoso. Sua empresa teria sido contratada pela OAS por R$ 18.858.978,16 para prestar serviços de terraplanagem durante as obras da transposição do Rio São Francisco e teria movimentado a maior quantia de dinheiro dentro do esquema. O inquérito aponta, ainda, que Morato mantinha R$ 24,5 milhões em sua conta.

Fonte: Folha de Pernambuco

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