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segunda-feira, 10 de abril de 2017

EDITORIAL DE SAÚDE: É preciso falar de depressão

Imagem: Reprodução internet
Cresce de maneira assustadora o número de pessoas que vivem com depressão no mundo. Na última década, considerando o período de 2005 a 2015, o aumento se deu na ordem de 18%. Estima-se que hoje são mais de 300 milhões de pessoas de todas as idades sofrendo com a doença e silenciando-se até que - se não tratada - a convivência delas no meio social se torna inviável. O quadro é tão dramático que a Organização Mundial da Saúde divulgou novos dados para justificar porquê elegeu a depressão como destaque do Dia Mundial da Saúde, lembrado na semana passada.

A depressão lidera o ranking das principais causas de incapacidade laboral do planeta. No Brasil, cerca de 5,8% da população lidam com a depressão, sendo o segundo maior índice das Américas e perdendo apenas para os Estados Unidos. A doença não vê idade para ataques: afeta cidadãos de faixa etárias distintas e que vivem estilos de vida diferentes. Difere-se das variações de humor, aquelas de curta duração que dizem respeito a períodos específicos de dificuldades. A depressão é um problema de saúde quando se apresenta em períodos longos e se revela severa. Promove angústias e, conforme lembra a OMS, repercute na execução de tarefas das mais simples.

É importante lembrar que, na pior das hipóteses, pode levar ao suicídio, um tema que, de tão estigmatizado e delicado, é pouco debatido mas que faz parte da realidade de inúmeras famílias. Para se ter uma dimensão do quanto: dados mostram que quase 800 mil pessoas morrem de suicídio como consequência da depressão não cuidada. Pior: o suicídio é hoje a principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos de idade.

O que mais chamou a atenção nas análises feitas por técnicos da OMS foi o alerta de que menos da metade das pessoas afetadas recebe ajuda médica. Tem países que a doença é tão negligenciada que apenas 10% dos casos têm acompanhamento adequado. Muitas vezes faltam profissionais capacitados, recursos, há falhas no diagnóstico. No entanto, o que ainda atrapalha muito é o estigma social. Enquanto não se falar de depressão, será difícil lidar com ela e reduzir o estrago sobre a saúde mundial.

Publicação do Diário de Pernambuco, em 10/04/17

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