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segunda-feira, 5 de junho de 2017

OPINIÃO: O fim do emprego

Meu pai tinha devoção por Vitória. Uma escrevente do Tabelião Galba Pragana. Por sua enorme capacidade em transcrever longas minutas, nos livros. Com boa letra. Ligeiro. E errando pouco. Apesar de velhinha. A chamava, por isso, de Rainha Vitória. Só que não há mais rainhas assim, no mercado. Substituídas que foram por computadores. Minutas são enviadas, pelos escritórios de advocacia, diretamente aos Cartórios. Lá, são só formatadas. Por outras vitórias, terceirizadas, que nada escrevem. Já não há, nos Cartórios de hoje, livros físicos. Nem escreventes. A profissão desapareceu. Mais uma, entre tantas.

A Ernst Young (Estados Unidos) acaba de tornar público estudo segundo o qual, em 2025, 1 em cada 3 empregos vai ser substituído por tecnologias inteligentes. E a Universidade de Oxford (Inglaterra) outro, similar, revelando que 47% dos empregos que hoje conhecemos vão desaparecer até 2040. Nada a estranhar. O físico Stephen Hawking antevê que a ascensão da inteligência artificial irá provavelmente levar à destruição massiva dos postos de trabalho, sobretudo na classe média. Será isso bom ou ruim? Provavelmente bom e ruim. Ganha-se em eficiência na produção, qualidade nos produtos e custos. Perde-se em postos de trabalho.

Entre as profissões que mais rapidamente desaparecerão, segundo esses estudos, estão:

Agricultor - O processo produtivo, no campo, será crescentemente automatizado.

Caixas - A Amazon já abriu sua primeira loja em que não há funcionários. Clientes que têm um App Amazon go, entram nas lojas, fazem as compras e vão embora. Essa experiência tende a se alastrar.

Bancários - Cada vez mais seus lugares serão substituídos por home bankings. Operadores de telemarketing - As máquinas vão entender o que usuários dizem e aprenderão a responder.

Carteiros - As comunicações serão cada vez mais eletrônicas.

Agentes de viagem - O processo tenderá a ser crescentemente automatizado. Contabilistas - Serão substituídos por máquinas.

Mesmo profissões tradicionais, como médicos e advogados, vão sofrer. Nos Estados Unidos, um robot-advogado (chamado Ross) vem sendo já usado em várias firmas com sucesso. E, médicos correm o risco de ser substituídos por máquinas que farão exames e prescreverão receitas, na maioria dos casos. Em resumo, todas as profissões que possam ser sistematizadas correm risco.

O futuro é já presente. 


Na visão de quem sabe ler, disse Fernando Pessoa. E ele é razoavelmente óbvio. Empregados com menor qualificação serão substituídos por mais qualificados. A robotização é inevitável. Não só porque robots não movem processos trabalhistas. É que, no longo prazo, custam menos. Também porque são mais precisos. E não erram. Só a fábrica da FIAT, em Goiana (PE), tem 700 robots. E cada robot substitui, em média, 5 trabalhadores. A FIAT, hoje, tem lá 3.000 empregados. Mas, sem os robots, ela teria 0 (zero). Que nem haveria essa fábrica. Impossível recusar o progresso.

Enquanto isso, no Brasil, um grupo bloqueia estradas e vai às ruas, enfurecido, na defesa só do passado, uma lei de 1943. Se batendo contra outro que defende só o presente. Para permitir redução de custos e mais previsibilidade nas relações de trabalho, agora. Ninguém se preocupa em estabelecer as bases do emprego, no futuro. Importante porque, dado os avanços da ciência, as pessoas estão vivendo mais. E tenderão a trabalhar por mais tempo. O que quer dizer ainda menos postos disponíveis, para todos. Está desenhada uma crise. A mais grave da humanidade. A crise do fim do emprego.

Por José Paulo Cavalcanti Filho que é jurista e membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado no Jornal de Bons Negócios / Maio de 2017

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